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Roupa com 7 vidas

Quando a Marta me convidou para escrever um post para o Green Vibe sobre como reutilizar roupa, fiquei muito contente e lisonjeada. Mas, fiquei sem saber por onde começar. Acho que o melhor ponto de partida é começar por explicar o que é o Écostura.

O meu nome é Inês. Há dois anos, encontrei-me desempregada. Durante os quatro meses que estive em casa, apercebi-me que não tinha nenhum hobby. Isto incomodava-me. Porque depois de ter lido todos os livros que tinha para ler e ver todos os filmes que tinha para ver, não me restava nada a não ser os momentos de ansiedade e tédio.

Foi então que decidi pegar no estojo de costura que a minha avó tinha composto para mim e num par de calças e fiz uma mala. Tudo cosido à mão, sem máquina. A partir daí, nunca mais parei e o Écostura nasceu como hobby e projecto.

A proposta que a Marta me fez foi escrever sobre como aproveitar roupa. O que fazer com roupa que já não usamos ou que já tem montes de buraquinhos e/ou remendos? Nunca sei bem o que responder. Porque, na verdade, com máquina ou sem máquina, a beleza de trabalhar com tecidos e costurar é esta mesma: podemos fazer montes de coisas, desde que pensemos um bocadinho e tenhamos um pouco de criatividade. Muitas vezes, as ideias surgem quando precisamos de alguma coisa lá para casa. Nesses momentos, antes de ir à loja comprar o que quer que seja, avalio se posso fazê-lo em casa, através da costura.

No entanto, acho que ao fim destes anos, aprendi alguma coisa sobre as peças de roupa e os tecidos que posso transmitir aqui. Lembro que não sou  profissional de costura, que nunca tive aulas de costura (a não ser ver a minha avó coser durante a minha infância) e que aprendi tudo o que sei porque coso quase todos os dias desde há dois anos atrás (fora os anos em que vi a minha avó coser e em que conversava com ela sobre tecidos e costura). Isto significa que, com um pouco de paciência e prática, qualquer pessoa pode transformar roupa e fazer objetos úteis para si e para os seus. Também significa que as informações que se seguem não são verdade absoluta, são fruto do que fui aprendido por experiência própria.

T-shirts e camisas

Começo, então, por falar em t-shirts e camisas. São peças muito boas para fazer forros de malas, carteiras e bolsinhas, por normalmente terem tecidos mais fininhos.

Fig. 1 e 2 – Mala feita com calças de ganga preta e com um forro feito com uma camisa.

Dão também para fazer guardanapos de pano, com uma face feita com um bocado de t-shirt e outra de um bocado de camisa. E quem diz guardanapos, diz também pequenas toalhas para, por exemplo, remover maquilhagem. As t-shirts também são ótimas para fazer sacos para transportar pão, vegetais e fruta quando vamos às compras.

Fig. 3 e 4 – Saco feito com t-shirt.

Fig. 5 e 6 – Guardanapos feitos com t-shirts de cor preta e tecidos diversos. 

Calças de ganga

Calças de ganga ou outros materiais mais grosos, são peças muito boas para reutilizar. Como normalmente são feitas de tecidos mais grossos, acabam por ser mais resistentes. Por isso, são sempre bastante boas para utilizar no exterior de peças, como malas, carteiras e bolsinhas.

Fig. 7 – Bolsa para transportar óculos de sol feita com bocados de umas calças de ganga decoradas.

Nos individuais com porta-talheres que faço, uso também calças de ganga para o exterior. São uma muito boa opção. Mas há outras coisas que podem fazer com calças, como aventais de cintura, estojos, bolsas de cintura, bolsas para computadores ou tablets, bolsas para transportar os artigos de higiene quando viajamos, entre outros artigos.

Fig. 8 e 9 – Bolsa para guardar artigos de higiene feita com calças de ganga no exterior.

Camisolas de lã

Outras peças que uso de vez em quando são camisolas de lã. Estas são muito úteis para fazer caminhas para animais de estimação, almofadas e malas.

Fig. 10 – Cama para animais de estimação feita com camisola de lã.

Os tecidos mais fininhos de algumas camisas, blusas e lenços não devem ser discriminados! São excelentes para introduzir elementos decorativos nos objetos que construímos. Por exemplo, adoro fazer flores com este tipo de tecidos para decorar malas e carteiras. Dão imenso jeito.

Fig. 11 – Pormenor de uma carteira, com flores decorativas. 

Se tiverem mochilas e malas antigas, ou outras peças de roupa como casacos e calças, podem também aproveitar os botões, os fechos e as alças destas peças que já não usam. Servem na transformação de roupa e na construção de diferentes objetos. Alguns cintos dão também para fazer alças de malas muito engraçadas e versáteis, uma vez que permitem fazer alças ajustáveis. Outros itens que podem ser muito úteis são os cortinados, que, por serem normalmente mais grossos e resistentes, dão ótimos “puxa-sacos”e calendários de advento!

Fig. 12 e 13 – “Puxa-sacos” e calendário de advento feito com o mesmo cortinado. 

Depois destas ideias, gostava de vos transmitir algo mais. Na minha opinião, na transformação de roupa, não há muitas regras. É preciso criatividade e muita paciência. À medida que vão trabalhando os tecidos, vão também conhecendo-os melhor e vão ficando cada vez mais à vontade para irem fazendo mais e melhor.

Também não diria que as roupas que mencionei servem exclusivamente para fazer as peças que descrevi. Por exemplo, se as peças de roupa estão realmente muito danificadas, podem cortar as peças aos bocadinhos, aproveitado as partes melhor conservadas e podem fazer objectos combinando estes vários bocadinhos. Podem fazer sacos para o pão, vegetais e fruta, ou carteirinhas e até babetes para crianças desta forma!

Fig. 14 – Babete feito com vários bocadinhos de tecido.

As épocas de festividades, como a Páscoa, o Halloween e o Natal, são óptimas para nos ajudar a ganhar inspiração para fazer objectos decorativos para a casa com roupa usada. Já pensaram que podem fazer enfeites para a àrvore de Natal super coloridos com roupas que tenham em casa? As t-shirts e camisas são boas para fazer bolas para a àrvore de Natal e podem fazer o enchimento das decorações com restos de tecido que sobrem dos cortes que fazem nas vossas costuras.

É verdade que muitos aspectos da costura são técnicos, como aprender os vários pontos. Podem escolher aprender por vocês mesmo/mesmas, através de tutoriais online, ou podem inscrever-se em workshops de costura. Uma coisa que, neste sentido, acho importante mencionar é que trabalhar com tecidos de roupas usadas não é o mesmo que trabalhar com tecidos novos. Os tecidos novos podem ser cortados nas medidas que queremos e, por serem novos, rasgam com menos facilidade. Já os tecidos das roupas usadas às vezes vêm tão desgastados que, a meio de uma costura, podem rasgar e sermos obrigados/obrigadas a começar de novo e substituir o tecido.

Para além disso, é preciso saber “jogar” com as dimensões dos tecidos, que normalmente são irregulares, porque já foram cortados para fazer essas peças de roupa. É tudo uma questão de paciência e persistência até aprenderem tudo isto.

Mas lembrem-se, antes de optarem por transformar uma peça de roupa, se ela não estiver muito danificada, considerem remendá-la (mesmo cuecas e meias!). Mais uma vez, podem aprender a fazê-lo de forma mais profissional ou ir experimentando por vocês. E podem rememdar de forma visível e colorida ou de forma mais discreta. Desta forma, acrescentam um valor extra à vossa roupa e dão-lhes personalidade.

E independentemente do que escolherem fazer, não deitem roupa para o lixo. Doem a instituições, façam trocas de roupas entre amigos/amigas, remendem, transformem… mas nunca deitar no lixo.

O mundo da costura e da transformação de roupa é extremamente divertido, relaxante, viciante e gratificante! Inspirem-se e experimentem.

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